Resenha do livro: Cultura da Convergência de Henry Jenkins.

“A convergência é um processo cultural. Refere-se ao fluxo de imagens, idéias, histórias, sons, marcas e relacionamentos através do maior número de canais midiáticos possíveis. Um fluxo moldado por decisões originais, tanto em reuniões empresariais quanto em quarto de adolescentes. Moldado pelo desejo de empresas de mídia de promover ao máximo as marcas, e pelo desejo dos consumidores de obter a mídia que quiserem, quando e onde quiserem.” As convergências de mídias não ocorrem nas máquinas, mas sim na mente dos consumidores e em suas redes sociais. Devemos enxergar a convergência a partir da relação interconectada que as pessoas passam a ter com as novas mídias.

A convergência estaria muito mais associada à maneira como a informação é recebida, processada e re-elaborada pelas pessoas, sempre lembrando que esse movimento se dá em múltiplos canais de comunicação e a partir da interatividade de uns com os outros. A palavra interação é fundamental nesse percurso, pois o processo coletivo passa a fazer parte do consumo, o autor aproxima a idéia de convergência de mídias à de inteligência coletiva . Como resultado do desenvolvimento da cultura da convergência nasce à narrativa transmidiática. “A narrativa transmidiática refere-se a um novo modelo que surgiu em resposta à convergência de mídias, captando as exigências dos consumidores e dependendo da participação ativa das comunidades de conhecimento. A narrativa transmidiática é a arte da criação de um universo”.

Dois símbolos da narrativa transmidiática são Heroes e Matrix, diz Jenkins. “para viver uma experiência plena num universo ficcional, os consumidores devem assumir o papel de caçadores e coletores, perseguindo pedaços da história pelos diferentes canais, comparando suas observações com a de outros fãs, em grupos de discussão on-line, e colaborando para assegurar que todos os que investiram tempo e energia tenham uma experiência de entretenimento mais rica”.

O que acontece é que se cria um universo ficcional (Obras ficcionais podem ser parcialmente baseadas em fatos reais ou não), interconectado em diferentes canais de comunicação, cujo sentido só é plenamente compreendido quando o conteúdo é experimentado em todo o seu conjunto, visto por todos os ângulos.

Tempos atrás era possível que um indivíduo dominasse todos os saberes da sociedade, esses eram os grandes sábios. Hoje não há como saber tudo, todos sabem um pouco sobre algumas coisas. Esses conhecimentos trocados formam a Inteligência Coletiva.

Um filme que permite aos seus fãn`s obter conteúdos fora das telas de cinema proporciona uma interatividade e um entendimento maior com o filme. E o expectador que experimenta essas outras vertentes da mídia terá sempre uma visão diferenciada do mundo e dos assuntos que o cercam. As velhas e novas mídias se colidem, e se completam.

Cada mídia funciona como uma peça de quebra cabeças e a junção de todas as peças criam um completo, um entendimento maior sobre o assunto. O modelo transmidiático abre possibilidades de as pessoas escolherem se querem ou não se envolver mais com determinadas narrativas.

Gráfico

RESENHA DO LIVRO: O Mundo é Plano: Uma breve história do Século XXI

Friedman consegue juntar inúmeros fatores e explicar como a relação entre estes eventos ocasionaram no fenômeno que chamamos de globalização.

A partir do século XXI se dá o início ao processo da terceira globalização, ou da sua versão 3.0, sendo que a 1ª acontece em torno do ano de 1800 com a descoberta de Colombo e a 2ª de 1800 a 2000. A fase 3.0 da globalização não difere das anteriores, apenas por escolher ou achatar o mundo, pelo poder com que está munido o usuário. Esta fase 3.0 possibilita um mundo cada vez maior de pessoas que se conectam num piscar de olhos, fazendo com que  todas as facetas da diversidade humana entrem na rede. Isso também possibilita o crescimento para o caso do terrorismo, uma vez que podem cair informações valiosas nas mãos de pessoas erradas por meio dessas redes.

Friedman diz mundo plano como uma metáfora aludindo à análise militar de que a luta em um terreno plano sem obstáculos tais como montanhas ou vales oferecem igualdade de condições para as facções combatentes. A globalização tem como fator de mudança mundial alguns fatores:

Quando se derrubaram muros e edificaram janelas – 9/11/1989

Cai o muro de Berlim e aumenta a distribuição de informação. Logo depois surge o Windows permitindo que as pessoas interajam melhor com o PC, aumentando o número de aplicações criadas e aumentando a produtividade empresarial e pessoal.

Quando a Netscape se torna pública – 9/9/1995

Abrem-se as portas para a massificação da Internet. O Netscape torna a Internet acessível a todos e ajuda a garantir que os protocolos já existentes (HTTP, FTP, TCP/IP, POP e outros) não seriam monopolizados pela Microsoft ou outra grande corporação. Surgiu também a bolha das dotcom, quando muitas empresas começam a explorar a necessidade de comunicação.

Software de sistematização dos fluxos de trabalho

Vamos almoçar: faça com que a sua aplicação “fale” com a minha aplicação

É uma revolução silenciosa que permite que as aplicações se comuniquem entre si contribuindo ainda mais para que o mundo se torne plano. Estes três primeiros acontecimentos criaram uma plataforma poderosa que planificou o mundo permitindo que todos se comunicassem. Os seis acontecimentos seguintes representam novas formas de colaboração que fazem uso desta plataforma.

Open-Sourcing – Comunidades cooperantes auto-organizadas

No open-sourcing ferramentas são desenvolvidas por várias pessoas e ninguém é proprietário da ferramenta. Enquanto que nos softwares comerciais o código fonte é guardado a sete chaves, nos softwares open source o código está a disponibilidade de quem quiser permitindo que erros sejam detectados e corrigidos rapidamente e permite que o software seja melhorado por qualquer um. O open source disponibiliza gratuitamente muitas ferramentas e desafia as estruturas hierárquicas com um modelo horizontal de inovação. Exemplos desse sistema Open-Sourcing: Linux (Sistema operacional), o Gimp (Versão Alternativa do Adobe Photoshop), a Wikipédia (Enciclopédia Virtual), o Mozilla (Navegador de Internet), entre outros.

Outsourcing – designa a ação que existe por parte de uma organização em obter mão-de-obra de fora da empresa, ou seja, mão-de-obra terceirizada.

Com o famoso bug do milênio, muitas empresas americanas contrataram mão de obra mais barata na Índia para fazer o trabalho aborrecido de melhor alterar o ano nas datas de dois dígitos para quatro. Graças aos três primeiros acontecimentos mencionados era possível enviar os programas para serem alterados na própria Índia, o que tornava o processo mais barato. Depois de resolvido o problema, o barateamento das comunicações permitiu que esta solução fosse adotada em outras situações o que tornou a Índia, por exemplo, um grande celeiro de massa cinzenta para os EUA.

Offshoring – é quando uma empresa passa a produzir em outro país.

A entrada da China na OMC (Organização Mundial do Comércio) permitiu que muitas empresas tivessem produtos fabricados lá por um preço baixíssimo, barateando os custos de produção e conseqüentemente aumentando lucros empresariais e reduzindo preços.

Encadeamento de Abastecimento – Feito por encomenda!

A automação da comunicação entre as empresas foi facilitada quando o mundo começou a tornar-se plano, o que possibilita que as empresas se comuniquem entre si aumentando a qualidade do serviço oferecido, diminuindo preços e facilitando a distribuição das mercadorias. Temos como exemplo a empresa americana Wal-Mart que controla o seu estoque diretamente com o fornecedor, conforme as mercadorias vão sendo vendidas o fornecedor vai adaptando a sua produção e distribuição.

Insourcing – é quando uma empresa contrata outra, melhor capacitada, para prestar um serviço necessário.

Por exemplo, a Nike prefere investir na concepção de tênis, não em cadeias de abastecimento, então melhorou o seu serviço ao contratar alguém com o know-how e a estrutura necessária para fazer a distribuição. Outro detalhe, a UPS (United Parcel Service Inc. Maior empresa do mundo em transporte expresso e entrega de pacotes, são também fornecedores líderes em transporte especializado, logística, capital e serviços de e-commerce), fornecem serviços para todos os tipos de empresas e tenta adequar os preços permitindo que empresas menores tenham a mesma qualidade de serviço das grandes favorecendo ainda mais a planificação do mundo ao democratizar as oportunidades.

In-Forming – Motores de busca Google, Yahoo! e MSN. (SEARCH).

A informação ao alcance de todo o mundo, basta pesquisar na rede. Tente lembrar como era antigamente, quando não existia a Internet, era preciso ir as bibliotecas a procura de informações e às vezes era preciso um pouco de sorte para se encontrar rapidamente o que desejava ou ter a sorte de a publicação pretendida estar disponível.

Os Esteróides – Digitais, Móveis, Pessoais e Virtuais.

As comunicações sem fios, os telefones celulares, iPods, PDAs e outras ferramentas do mesmo estilo nos mantém em contato com o mundo e com todos o tempo inteiro. O celular deixa de ser um simples telefone para incorporar novas funções e características. As informações disponíveis aos jovens japoneses através da Internet nos celulares são tão grandes que mal tenham uma dúvida, a primeira coisa que fazem é buscar a resposta pelo celular. Imagine a seguinte situação: o celular tem um scan de códigos de barras e você está andando pela rua e vê um pôster anunciando o novo CD da Madonna, você passa o scan e recebe no aparelho celular amostras das músicas do CD, se gostar, passa o scan de novo e compra o CD que será entrega na sua casa.

“Bem-vindo a cultura da convergência, onde as velhas e novas mídias colidem, onde o público e as corporações da mídia cruzam-se, onde os poderes dos produtores e dos consumidores da mídia interagem em um caminho imprevisível. A cultura da convergência é o futuro, mas está sendo moldada no presente. Consumidores serão mais poderosos em uma cultura da con­vergência, mas somente se reconhecerem e usarem seu poder tanto como consumi­dores quanto como cidadãos, e como parti­cipantes plenos de nossa cultura.”

FRIEDMAN, Thomas L

Rafael Esau dos Santos

MBA em Marketing Estratégico

Relou Ourd

Para me quem quiser ver minhas artes!

Eu mesmo

Eu mesmo

http://www.ciclophael.deviantart.com